Marketing digital para escritórios de advocacia: o que pode e o que NÃO pode
O marketing digital se tornou uma ferramenta indispensável para escritórios de advocacia que desejam fortalecer sua presença, ampliar autoridade e ser lembrados pelo público certo. No entanto, diferente de outros segmentos, a advocacia possui limites éticos bem definidos, regulados pelo Estatuto da Advocacia e pelo Provimento nº 205/2021 da OAB. Ignorar essas regras pode gerar advertências, sanções e desgaste institucional.
Neste artigo, você entende o que é permitido e o que é vedado no marketing jurídico, com uma abordagem prática e alinhada à realidade dos escritórios.
O que PODE no marketing digital para advogados
1. Conteúdo informativo e educativo
É permitido produzir conteúdos que tenham caráter informativo, explicando temas jurídicos de interesse público. Artigos de blog, posts em redes sociais, vídeos e newsletters podem abordar direitos, deveres, mudanças na legislação e decisões relevantes, desde que sem promessa de resultado ou indução à contratação.
Exemplo permitido:
“Entenda como funciona a partilha de bens no divórcio segundo o Código Civil”.
2. Posicionamento institucional e autoridade
O escritório pode apresentar sua trajetória, áreas de atuação, diferenciais técnicos, artigos publicados, participações em eventos, palestras e produções acadêmicas. Esse tipo de conteúdo reforça credibilidade e reputação, pilares do marketing jurídico.
3. Uso de blog e SEO jurídico
Manter um blog é uma das estratégias mais seguras e eficazes. O SEO jurídico permite que o escritório seja encontrado no Google de forma orgânica, sem apelo comercial direto, respeitando a ética profissional.
4. Redes sociais com postura adequada
É permitido usar redes sociais, desde que o conteúdo preserve a sobriedade da advocacia. A comunicação deve ser discreta, informativa e institucional, evitando sensacionalismo.
O que NÃO PODE no marketing digital jurídico
1. Captação direta e mercantilização
É vedado qualquer tipo de publicidade com intuito explícito de captar clientes, como chamadas do tipo:
- “Entre com sua ação agora”
- “Garantimos ganho de causa”
- “Honorários só no êxito” (quando divulgado como propaganda)
A advocacia não pode ser tratada como produto de prateleira.
2. Promessa de resultados
Jamais prometa êxito, rapidez ou vantagem processual. O resultado de uma demanda jurídica depende de múltiplos fatores e está fora do controle exclusivo do advogado.
3. Exposição de valores, descontos ou promoções
Divulgar preços, condições especiais, cupons ou comparações com outros profissionais é expressamente proibido.
4. Linguagem sensacionalista ou apelativa
Uso de termos alarmistas, exploração de tragédias, casos concretos com identificação de partes ou “antes e depois” são incompatíveis com a ética da profissão.
Marketing jurídico na prática: estratégia antes da visibilidade
O maior erro dos escritórios é confundir marketing jurídico com volume de postagens. Na advocacia, autoridade vale mais do que alcance. Uma estratégia bem construída prioriza:
- Clareza de posicionamento;
- Conteúdo profundo e responsável;
- Comunicação contínua e coerente;
- Construção de confiança ao longo do tempo.
Marketing jurídico não é sobre convencer, é sobre ser encontrado, compreendido e respeitado.
Fazer marketing digital na advocacia é possível, necessário e estratégico, desde que feito dentro dos limites éticos da OAB. Escritórios que investem em conteúdo qualificado, presença institucional e SEO constroem um ativo sólido: reputação digital.
Mais do que atrair clientes, o marketing jurídico bem executado fortalece a imagem do advogado como referência técnica e profissional confiável.